
Prezados amigos,
Diante dos fatos vivenciados por nós, cidadãos do Rio de Janeiro, nos últimos tempos, não tenho como permanecer calado. Creio que muitos irmãos ficaram estupefatos com as declarações absurdas, elitistas e ignorantes proferidas recentemente pelo governador Sérgio Cabral. Nosso governador, que conta com uma expressiva aprovação popular de seu governo devido ao (dúbio e relativo) sucesso das UPPs, anda provavelmente muito confiante em seu próprio poder. Ultimamente acompanhamos a crescente e justa mobilização dos mais de 400 bombeiros do Rio de Janeiro, reivindicando um piso salarial digno e compatível com uma profissão de risco e de utilidade pública como é a deles. Atualmente os bombeiros ganham um salário líquido inferior a 1000 (mil) reais, sem Vale-Transporte e sem pagamento de horas extras, além de, no caso dos salva-vidas, não contarem nem ao menos com equipamentos essenciais a sua segurança no trabalho, como óculos escuros e protetor solar. A categoria já buscava negociações com o Estado, que, como sempre, as mantinha na gaveta. Como através da negociação os bombeiros não estavam sendo ouvidos, estes partiram para uma ação plenamente democrática: o protesto. Como vivemos em um estado democrático de direito, estes profissionais, como quaisquer outros, têm pleno direito de se manifestar diante de situações que os afrontem ou hostilizem. Diante disto, manifesto aqui a minha opinião favorável ao muito bem vindo manifesto dos bombeiros e repudio ações e comentários como os de Sérgio Cabral, que os chamou de vândalos, criminalizando trabalhadores que possivelmente arriscam suas vidas para a segurança da população e que apenas reivindicavam melhores condições de trabalho. Nesse interim, gostaria de fazer apenas de salientar que, os protestos devem sempre se limitar a meios e fins pacíficos, de maneira que considerei errônea a atitude dos bombeiros de invadir o quartel da maneira como o fizeram. No entanto, compreendo as motivações destes que, ao não serem ouvidos de maneira alguma, apelaram para esta forma de chamar a atenção da sociedade. Nosso governador demonstrou ser um ignorante, autoritário e injusto, não apresentando as qualidades de liderança que supostamente um líder como ele deveria ter. Similar situação ocorre com os professores, que prontamente e corretamente entraram em greve, não apenas em solidariedade e apoio aos bombeiros, mas principalmente por nunca serem ouvidos pelo governo atuale por outros. A categoria, que serve de base para a formação de qualquer outra (inclusive magistrados e políticos, com remuneração infinitamente superior) permanece com salários míseros (especialmente os professores servidores do estado) e com uma carga de trabalho absurda, além dos deslocamentos que necessitam fazer para conciliar dois ou três tabalhos/escolas, devido a precariedade do salário(o salário líquido está na faixa dos 650 reais). Não havendo diálogo, que é uma das bases do funcionamento da democracia, entre as partes envolvidas (estado e servidores), estes servidores apelam para sua única saída (democrática): o protesto. A mídia, especialmente os grandes jornais e rádios do Rio de Janeiro, como "O Globo" e "Rádio Tupi", patrocinados que são pelo governo estadual, logo criminalizaram os bombeiros desde o início de suas manifestações (antes da invasão do quartel) e tentavam abafar o movimento, assim como sempre fizeram com os professores. Felizmente, contamos com uma forma de divulgação de informações que oferece todas as ferramentas para um acesso democrático da informação: a Internet. Como a imprensa oficial parece evitar o assunto (enviei a Rádio Tupi, assim como outros enviaram, manifestos de repúdio ao tratamento que a mídia e o governador deram ao caso e, como os bombeiros e professores, tive meu manifesto calado, pois nem repostas obtive da referida.), resolvi postar na bendita Internet este simples texto e manifesto de apoio a estes dedicados profissionais, explicitando minha admiração pela Democracia e meu repúdio total às atitudes e declarações antidemocráticas, censoras e autoritárias, comparáveis a nossa época em que vivíamos em uma Ditadura Militar, segundo os bombeiros (e infelizmente não há como discordar), proferidas pelo governador Sérgio Cabral e seus apoiadores. Enfim, sem mais delongas. Viva a Democracia!
Atenciosamente,
Raphael de Assis





