
Oriente Médio em chamas.
Já é conhecida por todos a disputa que foi travada ao longo dos séculos no chamado Oriente Médio. Povos e mais povos brigam influenciados pelos mais diversos fatores, principalmente pelos fatores religiosos. Também não é para menos: lá se localiza Jerusalém, a chamada “Terra Santa”, uma cidade de suma importância para no mínimo três religiões (o catolicismo, o judaísmo e o islamismo), que sempre travaram disputas entre si para obter o seu controle.
Hoje em dia a situação é diferente, os conflitos têm outros motivos envolvidos, porém a essência continua sendo a mesma. A partir de inúmeros acontecimentos, como a criação do Estado de Israel, intensificaram-se muito os conflitos na região, de maneira que esses conflitos usam uma justificativa religiosa para existir, apesar de no fundo serem puras disputas políticas e econômicas.
A cobiça pelo Oriente Médio se deve à riqueza da região em petróleo, um combustível fóssil, de suma importância para a economia mundial, tendo em vista que é principalmente a partir do petróleo que se produzem os combustíveis usados no dia-a-dia, e que o petróleo é o principal movimentador da economia dos Estados Unidos da América, a maior economia do mundo.
Os EUA, aliás, participam intensamente dos conflitos ocorridos no Oriente Médio, uma vez que têm total interesse nas riquezas da região. Dentre as várias campanhas lançadas pelos EUA em relação ao Oriente Médio, podemos destacar a mais recente: a ocupação do Iraque. O presidente dos EUA, George W. Bush, afirmou ao Conselho de Segurança da ONU que o ditador iraquiano Saddam Hussein investia na produção de armas químicas e que este devia ser detido. Mesmo sem a aprovação da ONU, Bush realizou a invasão ao Iraque, com o apoio de alguns países como a Inglaterra, a Espanha e a Itália. Nenhuma arma química foi encontrada lá, porém nada foi feito em relação ao descaso que os EUA tiveram em relação à decisão da ONU, o que provou a ausência de autoridade do órgão em relação aos EUA e a própria desmoralização da ONU como principal agente reguladora de conflitos internacionais.
Atualmente, empresas norte-americanas através de contratos bilionários atuam na chamada “reconstrução” do Iraque, e ao mesmo tempo em que isso ocorre, os EUA vão estabelecendo uma rede de influências cada vez maior pela região do Golfo Pérsico. Mas não para por aí: durante a invasão, o presidente Bush alegou existir uma coalizão, batizada por ele mesmo como “Eixo do Mal” formada pelo Iraque, pelo Irã e pela Coréia do Norte. Agora que o Iraque já está “sob controle”, os EUA já estão de olho no Irã e já deixaram isso bem claro.
Os EUA ofereceram um pacote de 60 bilhões de dólares em armamentos para alguns de seus aliados no Oriente Médio em uma tentativa de incentivar uma corrida armamentista na região, de modo que o Irã ficaria ilhado em seu próprio território. Em paralelo, se registra uma grande movimentação militar no Mediterrâneo sob comando alemão; militarizam-se as costas da Síria e do Líbano, com Israel como força aliada. Enquanto isso, nos exercícios militares do Mediterrâneo e no golfo Pérsico, o Irã é apresentado como inimigo hipotético.
Hoje, janeiro de 2009, ocorreu uma situação que reativou o destaque desses conflitos no cenário internacional. O Estado de Israel afirma ter sido atingido por um míssel palestino em uma parte de seu território (território esse que foi tomado dos palestinos por ninguém menos que Israel, diga-se de passagem) e resolveu dar uma resposta “a altura” ao mandar inúmeros batalhões de seu exército para invadir o território palestino, assim como bombardeou pesadamente cidades repletas de civis, crianças idosos e mulheres. Como se esse horror não bastasse, Israel insistiu em manter seus ataques mesmo com a desaprovação da ONU (o que nos mostra mais uma vez a incapacidade do órgão em manter sua autoridade, baseada no seu propósito inicial: manter a paz a qualquer custo), bloqueando o acesso à ajuda humanitária e bombardeando inclusive prédios da própria ONU. Depois de muita pressão internacional e da posição neutra dos EUA (que tradicionalmente estaria ao lado de Israel, mas preferiu se manter fora dessa), Israel aceitou o cessar-fogo mediado pelo Egito, suspendendo oficialmente o conflito. É claro que só foi um “cala a boca” para a imprensa internacional, pois as atrocidades continuarão e serão varridas para debaixo do tapete, como sempre foram.
Além disso, também não se podem deixar de lado os acontecimentos de cunho religioso, como as declarações um tanto ofensivas do Papa Bento XVI em relação à religião muçulmana, classificando como uma religião “carregada na ponta da espada”, o que causou uma enorme revolta dos muçulmanos, que queimaram imagens católicas e do próprio Papa. Há inclusive pensadores, que acreditam na possibilidade de uma nova “Guerra Santa” (fenômeno ocorrido com as disputas religiosas entre católicos e muçulmanos durante a Idade Média, através das Cruzadas em oposição à Jihad islâmica).
Enfim, no meio desse mar de fogo é impossível se prever o que pode acontecer, porém devemos abrir nossos olhos, porque definitivamente não estamos vivendo um momento tranqüilo e tudo que ocorre nas terras de Allah está diretamente ligado ao destino do que chamamos de planeta.